domingo, 10 de fevereiro de 2008

dos vampiros, dos anos 2000 e de sua música...


Construir conhecimento somente a partir do contemporâneo é impossível, fácil afimá-lo. O trabalho de pesquisa sempre me atraiu bastante. Acho que por isso a amizade de pessoas de gerações anteriores à minha sempre me foi sedutora. Por muito tempo, e até hoje o faço, estive em mesas de bar deliciando-me com os diálogos alheios. Ficava quieto, quase sem emitir opinião, apenas observando a conversa dos mais velhos. Muitos me tomaram por menino bobo e pareciam pavões exibindo todo seu conhecimento a respeito de política ou literatura. Outros sabiam o que eu fazia, sabiam que eu coletava informações, viam em meus olhos a sede de ouvir, ouvir, ouvir.
Tempo passado, muitos se foram, alguns ficaram. Hoje em dia temos relações mais maduras, de igual para igual, aprendo muito à medida que também ensino.

A escritora estadunidense Anne Rice, criadora do célebre vampiro Lestat, divaga em seus romances a respeito do que leva um vampiro a tranformar um ser humano em um dos seus e em certo momento a razão se mostra clara: a sede pelo conhecimento.
Os vampiros nascidos em determinado século têm dificuldade em compreender o seguinte, necessitando, assim, de um guia: alguém que, por ter nascido nele, compreenda-o melhor. Em troca o iniciado terá acesso a informações que jamais teria chances de obter na sua vida mortal/temporária. Tudo gira, então, em torno do saber.

É dessas relações vampirescas que quero aqui tratar.
Canso de ouvir o mesmo discurso pregando a desgraça que é a minha geração: apolítica, imoral, ignorante, etc.
Porém, o que mais me irrita é ouvir dizer que os anos 2000 foram nulos na questão musical.

A impressão que tenho é de que aqueles que professam tal discurso sentem falta da idolatria. Devo estar errado, mas o último ícone da música brasileira que levava multidões aos shows, vendia discos e discos, tocava no rádio sem parar e era respeitado pela crítica foi o Renato Russo com sua Legião Urbana. Morreu.
A década que vivemos é iconoclasta. (os parênteses são para que não esqueçam que trato aqui de música de qualidade. No Britney Spears)
Lembro dos Beatles levando os fãs à loucura: era gente chorando, gritando, desmaiando.
As atuações de Jim Morrisson então, aquilo sim era um Super Star.
Pois é, agora já não nos impressionamos com isso, a mídia aliada à publicidade já não tem o mesmo poder sobre os que apreciam música como teve outrora e a MTV não é mais a fonte primordial dos videoclipes: We've got YouTube, Babe!
As possibilidades são infinitas, existem milhões de trabalhos musicais de muita qualidade espalhados pelo mundo e o acesso a eles nunca esteve tão a mercê das nossas vontades.
Imagina alguém que, curtindo rock nos anos 70, não conhecesse o Pink Floyd. Quase impossível, isso era praticamente uma exigência. Imagino o pobre menino ignorante, chorando sentado no canto do pátio na hora do recreio, sozinho, sem amigos.
Digam-me, damas e cavalheiros, que banda ainda viva é obrigatória para alguém que goste de rock nos dias atuais? Nenhuma. Então não existem bandas de qualidade nos anos 2000? Claro que existem.

Anotação pessoal #2: Finalmente controlei-me e não mencionei Radiohead.

O exigido agora não é o cohecimento de determinado produto, mas o conhecimento de produtos de qualidade. O que vale é a troca de informações. Sempre conhecendo e apresentando coisas novas.
Portanto, os anos 2000 não produziram menos, muito pelo contrário.
E esse papo anacrônico de que na minha geração tudo era muito melhor não tá com nada, aprendamos uns com os outros.

Agora esse negócio de Emo, que porra é essa? essa nova geração, sei não...